TMDG.2008 [003]

Mondo Bizarro

O balcão do Mondo Bizarro

O balcão do Mondo Bizarro

Com nome de álbum dos Ramones, não poderia deixar de ser uma ótima pedida. A seguinda nite em Buenos Aires foi lá. Já cheguei bebum e não me decepcionei: encontrei belos drinks e um ambinente que, apesar de não ser lá grandes obras de design interno, era muito maneiro, bem decorado com motivos dos infernos e regado a drinks do capeta. O menu era muito maneiro, várias diabas gostosas, uns diabões desenhados, nomes legais, tudo vermelhão.

O lugar estava vazio, o que foi ruim,  mas os brasileiros tomaram o bar e beber mais foi o que nos restou. Tá no inferno… come a diaba.  A música era ótima, tocava surf music – finalmente matei a vontade de beach boys do dia anterior – rock garagem, rockabilly e psychobilly. Quando você comprava uma cerveja – heineken barata – você ganhava uma carta de baralho que mais tarde poderia ser trocada… por outra cerveja.

Foi a imagem do que representou toda a jornada para mim: um jogo de cartas. A primeira mão foi convidativa, as trocas foram excelentes e o resultado foi uma boa jogada. Ali a viagem já tinha valido a pena, mesmo que o congresso vindouro fosse um fracasso. O que não foi.

Overview do Mondo Bizarro

Overview do Mondo Bizarro

Voltando à vaca fria: a noite foi etílica e não deu outra. Troquei a visita ao Malba, no dia seguinte, por passar mal às 5 da tarde nas ruas do centro de Buenos Aires, quando tomei um gatorade pra hidratar. Naquele momento eu não queria apenas não beber nunca mais. Eu queria nunca mais voltar para argentina, não queria mais voltar para o hostel, não queria mais ir pra TMDG nenhum. Queria deitar na cabine do caixa eletrônico da Suipacha con Tucumán, dormir, e acordar no caixa eletrônico aqui da Figueiredo Magalhães, Copacabana.

Melhor rebobinar a fita.

[Rew] Galeria do Rock de Buenos Aires

Antes do Mondo Bizarro, fui com a galera do Caligraffiti andar pela cidade. Entramos certa hora na galeria do Rock. Aquilo confirmou o que eu já tinha notado.

As pessoas de Buenos Aires são muito mais antenadas com a cultura do mundo do que no Rio. Há público para rockabilly, psychobilly, indie… muito punk, hardcore, mas principalmente dub e ska, grande influência em várias bandas nacionais que tocam nas rádios argentinas. Também se pode notar isto pelas lojas, pelo que as marcas levam às vitrines das ruas, pelo que se usa nas ruas, pelo que se tatua… apesar da horda de emos e góticos que comprovaram que tudo tem seu preço. Uma cidade não se vincula non-stop à cultura contemporânea sem perder alguns de seus jovens. A lavagem cerebral também é maior, por outro lado. Todo mundo que adota com tanta veemência um estilo de vida demonstra o quanto se enquadra no mundo, mesmo que no papel quase cômico de “desajustado”.

Apesar disto, o fato de ao menos almejar ser desajustado já confere um certo crédito a isso tudo, e na galeria, quem perde um tempo se aprofundando um pouco mais

Zines, Quadrinhos e Revistas Independentes

Havia uma loja de quadrinhos, a única da galeria, onde pude achar excelentes zines e publicações independentes regionais, solidificando o que eu havia pensado sobre a cidade antenada.

Mesmo com a crise financeira, há grande interesse em se investir em cultura. As publicações e zines conseguem capital para fazerem belas edições, com papel bom, bem tratadas, com edição madura e arrojada. As ilustrações da maioria das revistas seguiam as tendências que mais tarde pude notar nos trabalhos expostos durante o TMDG; monstrinhos, muitos personagens, ênfase nos avatares.

Plan V

Plan V

Algumas revistas, como a excelente Plan V, vinha com coletâneas de músicas de bandas locais novas, que gozavam ainda de uma simpática apresentação dentro da publicação. O site é bem fiel à revista e em um de seus links traz mais um elemento presente em palestra do TMDG: a pintura sujando o site de tinta com o tipo de interatividade que Joshua Davis costuma usar. As reportagens, foco principal, são muito atuais e não se furtam a dar um posicionamento claro a respeito de política, comportamento, etc. Comprei 3 edições a 8 Pesos cada, bem barato.

Outra revista interessante é a “nada”, voltada para poesia, ilustração, pintura e fotografia, um pouco mais cara, 12 pesos, com muita qualidade. É editada por Guillermo Vega, designer de portfolio impecável. Traz ilustrações de gente boa como Lucas Varela, Alejandra Lunik, Pum Pum e Ana Clara Martinez Ramos, todos valendo muito dar uma olhada.
.
.

Revista Nada nº1

Revista Nada nº1

.

"Tulipán - Brasil vs. Argentina", por Guillermo Vega

"Tulipán - Brasil vs. Argentina", por Guillermo Vega, editor da Revista Nada.

.

Dignos de nota, comprei quadrinhos muito legais, como “Los Resortes Simbólicos”, de Max Aguirre, “Sigilo”, de Juan Sáenz Valiente, e “Bosquenegro“, de Fernando Calvi; três estilos bem diferentes de narrativa e desenho. Comprei também uma revista chamada “13: under-over”, da editora “Rompe-Cabezas”, de viés satanista rebelde 13 anos que nem vou me dar o trabalho de linkar de tão ruim; tanto graficamente quanto em termos de narrativa.

Lojas

Sobre as lojas que vi, três me marcaram e não me trouxeram um sentimento escroto consumista, mas que me cativaram por serem interessantes de uma forma especial, cada uma a seu modo.

A primeira é muito inovadora, a nobrand. O nome explica: a proposta deles é abandonar a própria marca, nobrand, por uma série de ícones, por eles criados, que constituissem uma coleção baseada na identidade argentina. A loja tem à venda bonés, boinas, aventais, cadernos, cuias de chimarrão, camisas e outros itens trazendo os símbolos argentinos, ao estilo da marca. Só era um pouco caro.

.

nobrand

nobrand

.

Papelaria Palermo

Papelaria Palermo

A segunda foi a Papelaria Palermo, que vendia papéis artesanais muito bonitos, além de ótimos cadernos, livros de arte, sketchbooks, canetas, lápis, pilots e pôsteres. Tudo bem, temos disto aqui também, mas lá, além da variedade e beleza dos produtos, nada tinha um preço muito alto.

A terceira foi uma loja surtada na galeroa do rock. Do lado de fora, camisas tosquinhas em silk, mas bastante criativas, como a camisa do Mun-ha, o ser eterno. As duas manequins na vitrine estavam nuas, uma suja de tinta rosa choque, a outra de tinta amarelo fluorescente; ambas vestidas com o capacete do Darth Vader. Miniaturas do star wars espalhavam-se pela sala. Alguns produtos minguados se alternavam com motivos de HQ trash pintados nas paredes em tinta preta, borrada, sobre banhos de tintas das mesmas cores que sujavam as manequins. Pelo chão, latas furadas com carcaças de caneta bic acopladas e um moleque muito afetado colando figurinhas do Garbage Pail Kids – o vendedor. A loja tinha cheiro de maconha e um fliperama com Cadillacs & Dinosaurs. Você passa lá, faz sua cabeça, troca uma idéia com o moleque retardado e vai nessa aproveitar a larica e bater uma milanesa com papas fritas. Seria legal ter uma câmera nessas horas.

Nao foi tudo que aconteceu em Buenos Aires, mas é tudo que acho que devo ou que desejo relatar. No próximo post, enfim, Mar del Plata e o Pictoplasma.

~ por rbalbi em Outubro 29, 2008.

2 Respostas to “TMDG.2008 [003]”

  1. “Queria deitar na cabine do caixa eletrônico da Suipacha y Tucumán, dormir, e acordar no caixa eletrônico aqui da Figueiredo Magalhães, Copacabana.” HAHAHA
    Adoro seus escritos, sempre, sempre. Aaah seu post me deu vontade de ir conehcer nossos “hermanos”…apesar deles nos odiarem muito mais do que nós a eles. Poxa…se soubesse tinha te encomendado a camisa do Mun-ha! hahaha Se bem que eu sempre me identifiquei com a Chitara.

  2. AH, linkei-te! ;)

Deixe uma resposta